leaves make like paper sounds

Monday, 13 April 2009

divagações

Aos possíveis leitores dessa espelunca: o texto abaixo são apenas divagações sem sentido.

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O milagre nada mais é que uma fusão perversa da patética crença com o imparcial acaso. O que nos resta? O que está além de nossos crânios, que encerram nossos sentidos? Talvez seja preciso literalmente abrir minha cabeça. Uma tentativa absurda, mas inevitável, de libertar minhas sensações.

Seria precipitado? Se a própria ideia de libertar nasce de dentro da prisão, talvez não haja nada além disso tudo. É um risco necessário, mas talvez seja inútil. Que adianta fugir de uma cela que está cercada por um penhasco profundo e vazio?

Acabou.

Sunday, 12 April 2009

divagações

Aos possíveis leitores dessa espelunca: o texto abaixo foi uma ideia tirada de um sonho que tive. Como eu o escrevi na pressa, com medo de esquecer, esse texto só deve fazer sentido pra mim e olhe lá!

Enfim, ignorem-o.


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Não se sabe por que, mas os humanos vivem duas vidas. Eles não sabem disso, claro, nem intercambiam lembranças de suas outras vidas. Enfim, funciona assim: quando alguém morre pela primeira vez, após um tempo esta pessoa volta a nascer, em um corpo diferente, mas frequentemente com características físicas e psicológicas bastante similares às da "primeira vida".

O intervalo entre a morte da primeira vida e o nascimento da segunda geralmente é constante, de algumas dezenas de anos. Por causa desse fato singular, proporcionado pelos perversos desígnios do universo, é improvável, mas possível, que famílias inteiras voltem a se reunir ocasionalmente em sua segunda e última passagem pela terra. Para que isto ocorra, basta que as pessoas morram em intervalos coerentes, para que, novamente, um possa ser pai de outro, e outro possa ser filho de um, e que o pervertido designador escolha que toda a família renasça no mesmo lugar.

Foi assim que aconteceu com Ele e sua família e boa parte dos amigos; com um adicional perturbador: Ele soube que estava em sua segunda vida.

Monday, 6 April 2009

livro 1, parte 1

Ele sonhava com coisas tristes todo dia. E todo dia ia pensar a respeito, sozinho, após a aula, numa pracinha perto do colégio onde estudava há eternos seis anos. Para os pais, dizia que ia fazer a lição na casa de um colega de classe.

Um dia, uma terça-feira, enquanto estava a observar, mais uma vez, pela milionésima vez, sua vida medíocre passar diante de seus olhos cansados no parquinho situado bem no miolo da praça, uma menina aparece do nada, e do nada resolve ocupar a outra metade do banco que, de tanto que ele sentava, já era seu.