leaves make like paper sounds

Monday, 18 May 2009

conto 1

Mais um conto inspirado num sonho que tive. Um, dois, três e já.

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Duas crianças correm numa floresta verde que nem esmeralda. Estão num sonho. Não sabem nem do que estão fugindo, só sabem que estão absurdamente felizes. Não há nada que possa medir a alegria delas naquele momento.

De repente, uma menina-ave aparece para levá-las ao interior da casinha de um velho no topo do rochedo mais alto das redondezas, com uma bela vista para um vilarejo isolado do mundo. Começa a nevar, mas lá dentro da cabana é aconchegante e quente. Suas alegrias somam-se com a do velhinho, a quem eles compartilham suas histórias e seus sonhos, inclusive o mesmo sonho no qual todos eles agora fazem parte.

Tudo fica cada vez mais surreal. Da janela, a menina-ave os observa com olhos de choro diante de um céu alaranjado, arranhado por flocos de neve que nascem das nuvens cor-de-fogo. Tamanha visão os leva às lágrimas, não sabem ao certo por quê. Resolvem então voltar para a floresta, voltar a fugir, voltar a sonhar mais. Talvez isso as leve a respostas, pensam as crianças. O velhinho entende, pois ele mesmo já fugiu antes, em sonhos passados, e despede-se, com sorriso de choro, dos visitantes aventureiros.

E lá vão elas duas novamente, correndo pelos campos já cobertos pela neve fina que caíra. Estão sozinhas como antes, mas riem e dançam enquanto percorrem distâncias cada vez maiores. Observando as paisagens encantadoras, elas não percebem que estão correndo demais. Tanta velocidade as faz voar. Ela se transforma numa menina-ave, ele num menino-ave, e se separam.

A mais nova menina-ave, devidamente alada, avista duas crianças correndo pela floresta já verde, pois a neve subitamente derreteu. Ela leva as crianças até a casa de um simpático velhinho morador de uma cabana no topo do rochedo mais alto das redondezas, com uma bela vista para um vilarejo isolado do mundo. Nesse ponto, flocos brancos voltam a cair do céu pincelado de laranja.

Da janela, a menina-ave, alada, penas brancas cobertas de neve, observa a dupla, que está transbordando alegria e compartilhando-a com o senhor morador da casinha. Onde está seu menino-ave? Bate nela uma sensação de nostalgia, que a leva compulsivamente às lágrimas.

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